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Nota: vacinas representam uma nova arma na luta contra a Covid 19

Duas vacinas anti Covid 19 foram autorizadas pela Anvisa para uso emergencial no Brasil. Uma delas é a Coronavac, desenvolvida pela biofarmacêutica chinesa Sinovac e testada em diferentes pesquisas de fase 3, no Brasil, Turquia, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e na própria China. Ela é produzida com a tecnologia tradicional de vírus inativado. A pesquisa foi realizada no Brasil sob a coordenação do Instituto Butantã, uma instituição pública de pesquisa, desenvolvimento e produção, do Governo do Estado de São Paulo, que produz vacinas para o Programa Nacional de Imunização (PNI), um programa do SUS. Um acordo contratual prevê a transferência de tecnologia da Sinovac para o Instituto Butantã produzir a vacina no Brasil. Por enquanto usaremos lotes de vacinas produzidas pela Sinovac, na China.

A outra vacina autorizada foi desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca, em conjunto com a Universidade de Oxford, ambas do Reino Unido. Também realizou a pesquisa de fase 3 em vários países e no Brasil, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz, uma instituição pública federal, com amplo histórico de pesquisa, desenvolvimento e produção na área da saúde pública. A tecnologia usada para produzir a vacina é diferente daquela da Coronavac. Usa um vetor viral, um vírus já conhecido e modificado, que leva um pedaço do coronavírus para dentro das células do corpo humano que, por sua vez, desencadeiam a produção de anticorpos. O contrato da Oxford-AstraZeneca com a Fiocruz também prevê a transferência de tecnologia para sua produção no Brasil. Por enquanto usaremos esta vacina produzida por uma fábrica indiana (Serum Institute) contratada pela Oxford-AstraZeneca.

As duas vacinam representam uma nova arma na luta contra a Covid 19. Entretanto, é consenso no meio científico que ainda navegamos em clima de muita incerteza. Não se sabe ainda com segurança, por exemplo, quanto tempo dura a proteção ou se a proteção também permanece no caso das variantes do vírus, que já apareceram em vários países e no Brasil. As vacinas também não foram testadas em crianças, adolescentes e em idosos.

As pesquisas realizadas até agora apontam que as vacinas evitam a doença Covid 19 e atenuam suas formas graves. Mas não se comprovou até agora se elas têm a capacidade de interromper a cadeia de transmissão do vírus. Os cientistas ainda não sabem qual é o impacto da vacina na transmissão. Ou seja, com certeza, as vacinas previnem a doença, mas não evitam o contágio. Isso significa que pessoas que receberam a vacina, mesmo com duas doses, ainda podem transmitir o vírus. Por este motivo recomenda-se que os vacinados devem continuar seguindo as regras de distanciamento social, uso de máscara e evitar aglomerações.

É certo que quanto maior o número de vacinados, menor será o número de doentes, de hospitalizações (e seus procedimentos de alto risco) e de mortes por Covid 19. Exceto em casos de pessoas com comorbidades sérias os testes indicam mortalidade zero. E isso já é uma grande conquista, que terá um impacto altamente positivo nos sistemas de saúde e na sociedade em geral.

Equipe Observatório Moara – Covid19