Covid-19 · Resumo · Semana 36 · Semana epidemiológica

ResumoDF – #05

Semana epidemiológica 36
(DE 30 DE agosto A 05 DE SETEMBRO)

A situação da epidemia de Covid-19 no Distrito Federal (DF), na semana de 30 de agosto a 05 de setembro de 2020, mostra o seguinte quadro.

O número acumulado de casos confirmados subiu de 159.526 para 168.605 nesta semana, o que mostra um aumento de 9.079 casos novos em relação à semana anterior. Na semana 35 houve 12.399 casos novos, o que significa um número menor de novas contaminações no DF na semana epidemiológica 36.

| Números de casos confirmados |
Ministério da Saúde e Secretárias Estaduais https://covid19br.wcota.me/ – Acessado em 05/09/2020

O gráfico abaixo mostra a evolução de casos novos diários no DF em escala logarítmica. Nele podemos observar a diminuição de casos registrados na semana epidemiológica 36 conforme relatado acima.

| Números de casos confirmados por dia |
Ministério da Saúde e Secretárias Estaduais https://covid19br.wcota.me/ – Acessado em 05/09/2020

 

A taxa de incidência, também teve aumento. O valor desta semana atingiu 5.477 casos por 100 mil habitantes.

| Número de casos por 100.000 hab |
| (Incidência) |
FIOCRUZ. Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT). MonitoraCovid-19. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://bigdata-covid19.icict.fiocruz.br/. Acessado em 05/09/2020

 

Não houve atualização da quantidade de testes realizados no DF na semana 36. Os valores informados são os mesmos da semana 35, que trazia como última atualização os dados até 27 de agosto. E até 27 de agosto o DF realizou 504.810 testes desde o inicio da pandemia. Dos testes realizados, 82% foram testes sorológicos e 18% PCR conforme pode ser verificado no quadro abaixo.

http://www.coronavirus.df.gov.br/index.php/testes/ acessado em 05/09/2020

 

O número absoluto de óbitos acumulados em todo o DF também subiu de 2.450 (semana 35) para 2.700 na semana 36. Ou seja, na semana 36 foram registrados 250 óbitos. Na segunda-feira e na terça-feira o DF registrou 52 mortes em cada dia.

| Números de óbitos confirmados |
Ministério da Saúde e Secretárias Estaduais https://covid19br.wcota.me/ – Acessado em 05/09/2020

 

A taxa de mortalidade por Covid-19, que mostra o número de óbitos para cada 100 mil habitantes, aumentou de 79,9 para 88,45 da semana epidemiológica 35 para a semana epidemiológica 36.

| Número de óbitos por 100.000 hab |
| (Mortalidade) |
FIOCRUZ. Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT). MonitoraCovid-19. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://bigdata-covid19.icict.fiocruz.br/. Acessado em 05/09/2020

 

O número de leitos de UTI (neonatal, pediátrica e adulta) ocupados nos hospitais do DF teve uma diminuição na semana 36 conforme demonstram os quadros abaixo. Com isso a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no DF saiu da zona de alerta crítico total para a zona de alerta crítico intermediário, porém a taxa de ocupação pediátrica continua em alerta com 90% de taxa de ocupação.

|Leitos Públicos|
Portal Covid-19@GDF – http://www.coronavirus.df.gov.br/index.php/leitos/ acesso 05/09/2020
|Leitos Privados|
Portal Covid-19@GDF – http://www.coronavirus.df.gov.br/index.php/leitos/ acesso 05/09/2020

Há uma lista de espera de 9 pacientes entre adultos e crianças com diagnóstico positivo para Covid-19 aguardando vaga em leitos de UTI. (www.coronavirus.df.gov.br – acessado em 05/09/2020 18:45h)

O número reprodutivo efetivo (Rt), que mostra quantas pessoas cada paciente de Covid-19 contamina, em média, permanece entre 0,8 e 1,1 com IC de 95%.

| Número Reprodutivo Efetivo Ajustado (Rt) |
Ministério da Saúde e Secretárias Estaduais https://covid19br.wcota.me/ – Acessado em 05/09/2020

Em resumo

O número absoluto de casos novos de Covid-19 na semana 36 foi menor que o das três semanas anteriores:

  • semana 33: 14.270 casos novos
  • semana 34: 11.033 casos novos
  • semana 35: 12.399 casos novos
  • semana 36: 9.079 casos novos

Este quadro não indica uma tendência clara da evolução da pandemia no DF. A cautela é necessária, pois essa oscilação pode ser devido a diferentes fatores: como o número de testes realizados (insumos e pessoal suficientes para a coleta de material, disponibilidade de kits de testes, capacidade do laboratorio central, etc), e a irregularidade dos fluxos de informações nas diferentes regiões do DF, entre outros fatores. O número de casos novos, apesar de inferior ao das semanas anteriores, ainda é alto, indicando que ainda acontece um alto grau de transmissão comunitária.

O número absoluto de óbitos revela comportamento diverso:

  • semana 33: 246 óbitos
  • semana 34: 299 óbitos
  • semana 35: 193 óbitos
  • semana 36: 250 óbitos

Observa-se que o número de óbitos não acompanhou a redução do número de casos novos. O impacto da redução do número de casos novos sobre o número de óbitos deve acontecer apenas em cerca de duas ou três semanas, em função do tempo médio de internação hospitalar. Verifica-se, também, a ocorrência de oscilação dos números, o que ainda não permite uma definição clara de tendência da mortalidade específica por Covid-19 no DF.

A taxa de ocupação de leitos adultos de UTI no DF diminuiu no setor público e privado, este último mantendo uma taxa de ocupação superior a 80%. No setor público a taxa de ocupação para adultos se mantém em estado de alerta crítico intermediário e na pediatria alerta critico total com uma taxa de ocupação alta.

O quadro epidemiológico mostra uma situação de epidemia ainda com número alto de novos casos no DF, não havendo evidências claras de estabilização do número de casos ou do número de óbitos.

OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES

O tema dos indicadores de saúde não é de fácil compreensão e sua qualidade depende de vários fatores. Por isso vamos explicar brevemente algumas características dos dois principais indicadores que utilizamos aqui no Observatório:

1. Taxa de Incidência ou Coeficiente de Incidência

Revela o número de casos novos de alguma doença específica, em um dado território e em certo período de tempo, a cada cem mil habitantes. Seu cálculo é feito usando como numerador o número de casos novos confirmados da doença, em certo território e em certo espaço de tempo; e como denominador a população suscetível, ou seja, a população exposta àquela doença no mesmo território e espaço de tempo.

Esses números provêm de dois sistemas:

  1. o Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN) que, resumidamente, funciona assim: há um elenco de doenças que são classificadas, por leis e outros regulamentos, como de notificação compulsória; quando um serviço de saúde diagnostica (ou suspeita, nesse caso vai ser investigado) um caso de alguma dessas doenças deve preencher um formulário de notificação e enviá-lo à secretaria de saúde municipal (ou estadual no caso de municípios muito pequenos que não têm estrutura de sistema de informação); a Covid-19 é uma destas doenças de notificação obrigatória; o município, no final de uma semana, consolida seus dados e os remete à secretaria de saúde do seu estado; a secretaria do estado também consolida os dados em seu sistema e os remete ao Ministério da Saúde (MS). Depois do tratamento destes dados, o MS os publica no seu Boletim Epidemiológico, em cada semana; estas são numeradas e chamadas de semanas epidemiológicas. Então, não há outra fonte de informação sobre a incidência de doenças de notificação compulsória que não seja o SINAN. Existem os inquéritos sorológicos, mas estes são pesquisas feitas em amostras representativas da população e que permitem saber, com mais precisão, qual o percentual de população afetada pela doença, detectando os casos que escapam ao SINAN – o que é chamado de subnotificação. O resultado da razão entre o numerador e o denominador é multiplicado por cem mil para obtermos a taxa.

  2. o IBGE, por meio das projeções do número de habitantes de cada município ou estado e do Brasil todo, para cada ano, é o número que vai no denominador; e todos sabemos que a população nunca é exata, pois muda a cada dia em função das pessoas que morrem e de outras que nascem.

Então percebemos que o indicador tem limitantes de precisão tanto no numerador, quanto no denominador.

Quando não é designado o espaço de tempo do indicador (um mês, seis meses, um ano, etc.) subentende-se que ele se refere a um ano, pois este indicador é usado para informar o número de casos novos de uma doença específica em cada ano, para compor séries históricas de incidência de cada doença.

E da taxa de incidência de Covid-19 (usada em todas as instituições e em todo o mundo), coloca no numerador todos os casos desde o início da pandemia que, no Brasil, foi em março. Então, como os casos não param de ocorrer, a taxa só vai aumentando, o que não permite visualizar se o número de casos novos em cada semana está aumentando ou diminuindo. Para uma avaliação mais fácil da evolução dos casos novos seria necessário calcular a taxa de incidência em cada semana. Mas isso não costuma ser feito em situações de epidemia. Para melhor visualização do número de casos novos em cada semana colocamos, no último Resumo, um gráfico de barras com o número de casos novos acumulados em cada uma das últimas quatro semanas. Se subtrairmos o número de casos de uma semana do número da semana anterior, teremos o número de casos específicos de cada semana. Neste Resumo colocamos diretamente o número de casos novos de cada semana para facilitar ainda mais a comparação. Quando não houver mais nenhum caso novo em uma semana, a taxa de incidência, que usa o total de casos acumulados, vai permanecer a mesma da semana anterior.

2. Taxa de Mortalidade Específica ou Coeficiente de Mortalidade Específica

Revela o número de óbitos causados por uma doença ou agravo (acidente de automóvel, por exemplo), em certo território, em certo espaço de tempo, em cada cem mil habitantes. É calculado pela razão entre o número de óbitos causados por uma doença, em certo território e período, e o número de habitantes/população do território no período, multiplicada por cem mil.

Estes números provêm de dois sistemas também:

  1. Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), que funciona de maneira semelhante ao SINAN. Sua fonte de dados são os atestados de óbitos emitidos pelos médicos em hospitais, clínicas etc., em todo o nosso território. Seu tratamento segue o mesmo fluxo, desde as secretarias municipais até o Ministério da Saúde.

O atestado de óbito é um documento oficial do SUS que, depois, é levado ao cartório para a emissão da Certidão de Óbito.

  1. O IBGE, novamente pela projeção do número de habitantes de cada estado e de cada município, ano a ano.

Da mesma forma, a razão entre o número de óbitos registrados e a população exposta é multiplicada por cem mil para obtermos o número proporcional.

Deve-se prestar atenção para não confundir o número de óbitos, um número absoluto, com a taxa ou coeficiente de mortalidade, um número proporcional.

Estes são os principais indicadores epidemiológicos usados para monitorar a evolução da pandemia de Covid-19, pelas instituições oficiais de quase todos os países.

Alertamos, ainda, que o número de casos notificados é altamente dependente da política de testagem adotada em cada país ou estado. Alguns países testam apenas pacientes com necessidade de hospitalização; outros testam os pacientes que apresentam sintomas; e, outros, fazem testagem em massa.

Como o coronavírus 2 é um vírus novo, no início da pandemia não havia testes para a o diagnóstico da doença que causava, que foi chamada, pela OMS, de Covid-19. Depois de isolar o vírus e decifrar o seu genoma, a China, onde começou a epidemia, criou seus testes de diagnóstico com o vírus prevalente em seu território.

No Brasil precisamos fazer o mesmo: isolar o vírus responsável pelos casos aqui verificados, conhecer seu genoma e desenvolver os kits de diagnóstico. Por isso, a testagem foi muito pequena nos meses de março, abril e maio. Isso significa que muitos casos de Covid-19 e de óbitos por esta doença não foram relacionados a ela. Como os pacientes exibiam um quadro compatível com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que é uma doença semelhante, mas causada por outros tipos de coronavírus, os atestados de óbitos traziam a SRAG como a principal causa de morte.

Esta é a causa do que se chamou de excesso de mortalidade por SRAG, ou seja, o número de óbitos por SRAG, em 2020, nos meses de março a maio, foi muitíssimo superior ao número de óbitos pela mesma doença em 2019 ou 2018. O fato evidencia a baixa quantidade de diagnósticos de Covid-19 nos primeiros meses da pandemia no Brasil, cujos casos e óbitos foram relacionados à SRAG. Deve-se destacar, também, que nas primeiras semanas de testagem os laboratórios não estavam preparados para realizar os testes em tempo oportuno. A fila de espera era imensa e os resultados demoravam até vinte dias, o que era um dilema para as equipes da assistência aos contaminados. Foi necessário treinar todo o pessoal envolvido, desde a coleta do material nos serviços de saúde até a realização do teste nos laboratórios, e acertar toda a logística do fluxo dos insumos e das proteções necessárias até que os testes fossem realizados em prazo razoável.

Para entender melhor a importância do teste é preciso destacar um conceito muito importante na epidemiologia que é o conceito de CASO; o que pode ser considerado um caso. Muitas doenças têm quadros de sinais e sintomas parecidos e a diferenciação se torna difícil apenas considerando o quadro clínico. Quando existe o teste específico da doença, o teste laboratorial é exigido para a suspeita ser confirmada como um caso. Em uma realidade tão diversa e ampla, em um território como o Brasil, sempre há exceções. Com o melhor conhecimento sobre a fisiopatologia e a imunopatologia da Covid-19, que também era (ainda é) uma doença desconhecida, em situações ou lugares onde o teste laboratorial de diagnóstico não está disponível, alguns casos são confirmados pelo quadro clínico.